Reecontro com o passado
Reencontro com o passado
Acordo do silêncio mudo em que minha alma me colocou. Estou perdido aqui neste lugar que antes julgava meu. O que antes transpirava por mim agora empurra-me para o abismo da vida. Acordo num sítio estranho mas tão conhecido por mim, estes lençóis brancos de algodão com meu corpo desenhado mostram-se ásperos ao meu toque, este sol forte e quente mostra-se frio e indiferente à minha presença.
Caminho pelos caminhos da minha infância, mas parece-me que os acabo de descobrir tudo é novo, tudo é um corpo estranho no meu sangue, tudo é novo e velho em mim. Eu próprio sou novo e velho aqui neste local que me viu nascer. A casa. A casa que me viu crescer já não é a mesma, contínua de pé, quieta e velha, mas já não é a mesma. Está diferente, não a conheço. Apresento-me. Do lado de fora apresento-me a esta casa velha que viu a minha família crescer, nascer, morrer, simplesmente viu a minha família nela viver.
Contínuo na rua da minha infância, as pessoas cumprimentam-me como se me conhecessem, e conhecem-me bem. Viram-me crescer. Mas hoje eu não sou eu, sou outro alguém diferente, mas as pessoas falam-me como se me conhecessem bem. Passo sozinho e tranquilo pelas casas abertas, fito o olhar no horizonte, tentado buscar qualquer coisa minha, qualquer coisa igual ao passado que aqui vivi. Não encontro. O meu olhar está diferente. Está maior. Está cego.
As estradas do passado tocam-se, confluindo umas nas outras, tornado-se imperceptível ao meu coração. Não sei se choro, se fico indiferente a estas mudanças, será que é normal? Talvez seja normal, talvez não, sei o que sinto nestas ruas, sei o que vejo ao fundo, só não sei se conheço onde nasci, só não sei se me reconheço onde nasci. Volto a casa envolvido num mar revolto, envolvido nas ondas bravas deste mar em que nasci. O mar. O meu mar. Conheci-te à tantos anos meu amigo, nunca me falhas-te. Olho para ti e reconheço cada gota salgada do teu corpo. És o meu mar. O meu passado desenhado nas ondas, olho e revejo-me.
Estou feliz, finalmente percebo algo do passado, o bater das ondas na areia, o cantar dos pássaros quando os brancos chegam da faina, o cheio da maresia, o gosto do teu sal. Mergulho de cabeça naquilo que reconheço. Mergulho tão fundo que me assusto. Tudo à minha frente. Imagens soltas gritam à minha volta. TU PERTENCES AQUI. Eu pertenço aqui. O TEU LUGAR É AQUI. O meu lugar é aqui, neste mar, nestas gentes. A areia mete-se nos meus pés, como que a colar-me à terra, o sol queima-me a pele como que a dizer que me reconhece agora, depois de limpo pelo mar. As ruas voltam a mostrar-me aquilo que tinha conhecido. As pedras que antes me derrubaram agora mostram-se lisas ao meu passar. As casas abertas como que sorriem, dizendo-me olá, segredando umas às outras as minhas raízes.
Sou daqui, terra amada, desculpa as dúvidas que tive, desculpa a minha dúvida. Sou daqui e jamais renunciarei ao meu passado. Tenho o sangue desta terra, o calor e a vida deste terra. Sou daqui, deste mar revolto em calmaria, sou destas areias quentes e douradas, areias batidas pelo mar, pelo meu mar salgado. Sou desta minha terra, desta minha casa velha e linda, destas ruas, destas gentes. Isto é meu, isto sou eu. Estou feliz por ter-te reencontrado, e o meu futuro escreve-se nas linhas do meu passado.
Acordo do silêncio mudo em que minha alma me colocou. Estou perdido aqui neste lugar que antes julgava meu. O que antes transpirava por mim agora empurra-me para o abismo da vida. Acordo num sítio estranho mas tão conhecido por mim, estes lençóis brancos de algodão com meu corpo desenhado mostram-se ásperos ao meu toque, este sol forte e quente mostra-se frio e indiferente à minha presença.
Caminho pelos caminhos da minha infância, mas parece-me que os acabo de descobrir tudo é novo, tudo é um corpo estranho no meu sangue, tudo é novo e velho em mim. Eu próprio sou novo e velho aqui neste local que me viu nascer. A casa. A casa que me viu crescer já não é a mesma, contínua de pé, quieta e velha, mas já não é a mesma. Está diferente, não a conheço. Apresento-me. Do lado de fora apresento-me a esta casa velha que viu a minha família crescer, nascer, morrer, simplesmente viu a minha família nela viver.
Contínuo na rua da minha infância, as pessoas cumprimentam-me como se me conhecessem, e conhecem-me bem. Viram-me crescer. Mas hoje eu não sou eu, sou outro alguém diferente, mas as pessoas falam-me como se me conhecessem bem. Passo sozinho e tranquilo pelas casas abertas, fito o olhar no horizonte, tentado buscar qualquer coisa minha, qualquer coisa igual ao passado que aqui vivi. Não encontro. O meu olhar está diferente. Está maior. Está cego.
As estradas do passado tocam-se, confluindo umas nas outras, tornado-se imperceptível ao meu coração. Não sei se choro, se fico indiferente a estas mudanças, será que é normal? Talvez seja normal, talvez não, sei o que sinto nestas ruas, sei o que vejo ao fundo, só não sei se conheço onde nasci, só não sei se me reconheço onde nasci. Volto a casa envolvido num mar revolto, envolvido nas ondas bravas deste mar em que nasci. O mar. O meu mar. Conheci-te à tantos anos meu amigo, nunca me falhas-te. Olho para ti e reconheço cada gota salgada do teu corpo. És o meu mar. O meu passado desenhado nas ondas, olho e revejo-me.
Estou feliz, finalmente percebo algo do passado, o bater das ondas na areia, o cantar dos pássaros quando os brancos chegam da faina, o cheio da maresia, o gosto do teu sal. Mergulho de cabeça naquilo que reconheço. Mergulho tão fundo que me assusto. Tudo à minha frente. Imagens soltas gritam à minha volta. TU PERTENCES AQUI. Eu pertenço aqui. O TEU LUGAR É AQUI. O meu lugar é aqui, neste mar, nestas gentes. A areia mete-se nos meus pés, como que a colar-me à terra, o sol queima-me a pele como que a dizer que me reconhece agora, depois de limpo pelo mar. As ruas voltam a mostrar-me aquilo que tinha conhecido. As pedras que antes me derrubaram agora mostram-se lisas ao meu passar. As casas abertas como que sorriem, dizendo-me olá, segredando umas às outras as minhas raízes.
Sou daqui, terra amada, desculpa as dúvidas que tive, desculpa a minha dúvida. Sou daqui e jamais renunciarei ao meu passado. Tenho o sangue desta terra, o calor e a vida deste terra. Sou daqui, deste mar revolto em calmaria, sou destas areias quentes e douradas, areias batidas pelo mar, pelo meu mar salgado. Sou desta minha terra, desta minha casa velha e linda, destas ruas, destas gentes. Isto é meu, isto sou eu. Estou feliz por ter-te reencontrado, e o meu futuro escreve-se nas linhas do meu passado.

1 Comments:
as vezes é bom olharmos pa tras e vemos aquilo q deixámos, aquilo q mais nos marcou. quando olhamos, vemos momentos passados, meras recordações, mas são elas q fazem d nós parte daquilo q somos hj..
tu foste ao encontro do teu passado, e recontaste aquilo q viste - e muito bem! parabens!
beijo
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